25 de janeiro de 2011

Dataprev nega suspeitas de travar o consignado


A Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social)acaba de divulgar nota afirmando que todas as operações (crédito consignado) estão dentro dos prazos "estipulados contratualmente para entrega dessas demandas". A explicação se deve a nota do colunista Lauro Jardim, de Veja, que denunciou a não validação de empréstimos em folha para os aposentados e os pensionistas do INSS, desde a semana passada.
A demora chegou a levantar suspeitas entre os bancos e instituições operadores de que estaria em curso negociações de ajustes, idéia que seria defendida pelos novos administradores previdenciários.
A nota da Dataprev tem o seguinte teor: "A Dataprev esclarece que a demanda mais antiga de validação das operações de empréstimo com desconto em folha para os aposentados e os pensionistas do INSS não atendida foi recebida no último dia 18 (terça-feira). Como o prazo previsto contratualmente para que a empresa atenda a essas solicitações da rede bancária é de quatro dias úteis, a Dataprev teria até hoje (24), às 23h59, para realizar tal operação. Portanto, a empresa reitera que está cumprindo o prazo estipulado contratualmente para entrega dessas demandas".

Segmento de escândalos
- O crédito consignado é sucesso no setor público e entre os aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por isso, a disputa dos bancos sempre foi intensa pelos entes públicos e pelo próprio INSS.
Nesse contexto, surgiram escândalos envolvendo o favorecimento de determinadas instituições. Em meados do ano passado, por exemplo,foi revelada a atuação de José Adriano Cordeiro Sarney, neto do presidente do Senado, José Sarney, na intermediação de consignados no Senado. A Polícia Federal investigava suspeitas de corrupção e tráfico de influência no negócio.
Um dos bancos pioneiros no negócio, o BMG, foi investigado no esquema do mensalão, tala generosidade com que atuava me favor de setores petistas.O então deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), integrante da CPI dos Correios, na ocasião, chegou a declarar: " Não se tratava de uma relação usual de banco com cliente. Surgiram fortes suspeitas na CPI de que os mais de R$ 50 milhões que emprestaram ao PT nem eram empréstimos. Seria dinheiro dado, pelos próprios bancos e por outras empresas como recompensa por boas vantagens. ''Os empréstimos concedidos pelo BMG ao PT foram acertados para não ser pagos'', afirmou. Os petistas teriam retribuído os empréstimos com benefícios políticos e de órgãos do governo, além de muito dinheiro dos fundos de pensão para os momentos de aperto. Apenas os fundos de pensão Postalis (dos funcionários dos Correios), Petros (Petrobrás) e Real Grandeza (Furnas) tinham R$ 530 milhões investidos no BMG e no Rural. Os dois bancos negam ter recebido vantagens.
Esdrúxulo cartão - Recentemente, os bancos fizeram novas tentativas escrúxulas através da introdução do cartão de crédito. Foi estabelecida uma faixa de crédito(dentro do limite máximo de comprometimento, que é 30% do valor do benefício). O grande lance - além de ampliar significamente o envidadamento - era o ganho que as instuituições teriam sobre o saldo devedor do aposentado, o qual, na prática, nunca pagaria a sua divida. Uma vergonha oficialmente patrocinada.

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