21 de fevereiro de 2011

Aécio quer desbancar PT e aproximar PSDB dos sindicatos


O encontro com representantes das centrais sindicais na semana passada foi o ensaio de uma estratégia mais ampla do PSDB para tentar obter uma interlocução com as entidades trabalhistas. O diagnóstico é que, para voltar ao poder, o partido precisa ampliar sua base social e romper o monopólio do PT junto às centrais sindicais - que, além de reunirem expressivo número de filiados, dispõem de ampla estrutura de propaganda política.
A aproximação com os sindicatos faz parte do projeto do senador Aécio Neves (MG) para tentar se cacifar para a eleição presidencial de 2014. O principal alvo dos tucanos é a Força Sindical, ligada ao PDT do ministro Carlos Lupi (Trabalho) e de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. A aproximação entre Aécio e Paulinho irritou tanto o Palácio do Planalto quanto a ala tucana ligada a José Serra, que defendia R$ 600 para o mínimo. Aécio encampou os valor das centrais: R$ 560.
Ligação umbilical - Apesar da derrota inconteste que sofreu na votação do mínimo, a oposição avalia que o debate serviu para provocar a primeira cizânia na unidade sindical em torno do governo, inabalável na gestão Lula.
Além da já umbilical ligação entre a CUT e o PT, Lula conseguiu fidelizar também as demais entidades. Isso se deu graças à divisão de cargos em organismos do governo e, principalmente, ao repasse do imposto sindical para as seis centrais, o que irrigou seus cofres com R$ 146 milhões desde 2008.
"Não podemos deixar como única alternativa para essas forças se aliar ao PT", disse Aécio. Ele argumenta que "não existe partido social-democrata no mundo sem uma seção sindical". Mas, num sinal de que esse tema não é unânime no PSDB, o senador Aloysio Nunes (SP), um dos principais serristas, acha que o partido não deve ter com os sindicatos a mesma relação do PT. Ele criticou o fato de as centrais serem "alimentadas pelo imposto sindical" .

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