24 de fevereiro de 2011

Alguns dos bastidores da votação do salário mínimo de R$ 545,00

Daqui não saio, daqui ninguém me tira

Numa demonstração de paciência e perseverança, quatro dirigentes da COBAP só arredaram o pé do Senado no apagar das luzes. Ficaram horas e horas acompanhando de perto a votação. Parabenizo Warley Martins, Moacyr Meirelles, Nelson de Miranda Osório e Antonio Santo Graff, que lideraram centenas de soldados aposentados ontem no Senado. Ao lado deles estavam Robson Bittencourt (MG), Osmar de Jesus Fernando (São Paulo), Domingos Madureira (Distrito Federal), Moacir Meirelles (Rio Grande do Sul) e Iburici Fernandes (que veio de Santa Catarina para acompanhar a votação). O sacrifício parece em vão, mas não foi, pois novamente a COBAP mostrou ao Brasil que está viva, atenta e descontente com a classe política deste País.

PMDB definiu cargos antes de votação

Mesmo com seis dissidências na votação do salário mínimo de R$ 545, o bloco PMDB e PP do Senado garantiu cargos no segundo escalão no Governo Federal. O grupo acertou a manutenção de postos estratégicos. O trio peemedebista Romero Jucá (RR), Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP) negociou os cargos sem alarde ao longo de duas semanas. Uma lista chegou a ser produzida com os pleitos de cada setor do partido. Entraram em jogo postos na Petrobras, na Caixa Econômica Federal, na companhia de energia Furnas e no Banco do Brasil.

Oposição vai recorrer à Justiça

O DEM e o PSDB estão acionando seus advogados para elaborar uma Adin (ação direta de inconstitucionalidade) contra o projeto aprovado que reajusta o salário mínimo em R$ 545. A proposta segue para sanção presidencial. A ação só poderá ser apresentada ao STF (Supremo Tribunal Federal) depois de sancionada e publicada no Diário Oficial da União. A emenda contrária à política salarial via decreto do Planalto foi derrotada por 54 votos. A única esperança antes de entrar na Justiça é a possibilidade de Dilma Rousseff vetar o artigo.

A Frase

“É inadmissível que o preço da lealdade ao governo seja a violação da nossa Constituição”, disse o senador mineiro Aécio Neves, ao comentar o artigo que tira das mãos do Congresso a responsabilidade de aumentar o salário dos trabalhadores e aposentados.

Babador


Dono de um dos discursos mais eloquentes, o senador Mário Couto (PSDB-PA) teve de tirar um lenço do bolso para limpar o entorno de sua boca e seu rosto. “Lá vem a baba. Quando a democracia está ameaçada eu babo demais", justificou ao microfone.

Pai não é padrasto

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) aproveitou seu discurso para fazer um alerta sobre a ameaça de retorno da inflação. Na fala, atribuiu ao ex-presidente FHC a implementação do Plano Real. Sentado e atento, o também ex-presidente Itamar Franco (PPS-MG) logo se levantou e pediu a palavra para reclamar. “Eu não poderia me calar”, disse Itamar. José Sarney tratou de amenizar os danos: “Todo mundo sabe que o Plano Real foi implantado no governo de Itamar Franco”.

E tem a última

Na tentativa de amenizar os efeitos da votação de ontem, o senador Paulo Paim está articulando uma urgente reunião da COBAP com a presidente Dilma Rousseff. Quem viver, verá! Agradeço a atenção dos leitores, desejando-lhe muita saúde e paz.

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