18 de fevereiro de 2011

Apesar das dissídências, Senado deve aprovar mínimo de R$ 545,00


O executivo não conta com 100% de lealdade de PMDB, PP e PT no Senado, mas caminha para obter aprovação de mínimo de 545 reais sem dificuldade
Após a vitória folgada na Câmara dos Deputados, o governo não deve encontrar problemas na aprovação do salário mínimo de 545 reais no Senado. Mas, na casa, a pressão do Planalto é insuficiente para eliminar as dissidências. A base sabe que, diferentemente do que ocorre na Câmara, é impossível contar com o voto de todos os parlamentares que pertencem a partidos aliados. A previsão é que o projeto de lei que reajusta o mínimo para 545 reais entre em pauta na quarta-feira.
Alguns senadores, como Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Ana Amélia (PP-RS) já anunciaram adesão à proposta de 600 reais do PSDB. Roberto Requião (PMDB-PR) seguirá o mesmo caminho. Inácio Arruda (PC do B -CE) tem dado declarações pedindo um mínimo maior. Pedro Simon (PMDB-RS) e Luiz Henrique (PMDB-SC) dificilmente ficarão ao lado do governo.
Outros parlamentares ainda estão indecisos: é o caso de Sérgio Petecão (PMN-AC) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Mas a maior dor de cabeça para o Planalto atende pelo nome de Paulo Paim (PT-RS). O petista já anunciou que irá apresentar uma emenda propondo um mínimo de 560 reais. O dinheiro extra viria da antecipação do reajuste previsto para 2012.
Humberto Costa, líder do PT no Senado, diz que não aceitará a tentativa de Paim de alterar o texto: "No caso de emendas da base nós vamos apelar fortemente para que ninguém as apresente". No dia em que a Câmara aprovou o mínimo de 545 reais, o petista gaúcho recebeu um agrado do PT: a indicação para presidir a Comissão de Direitos Humanos do Senado. Ainda assim, não cogita desistir da empreitada e ameaça a unidade da bancada.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), também promete ir atrás dos dissidentes: "Estou conversando com os líderes. Nosso universo são os 100% da base do governo aqui no Senado", diz. Requião classifica o mínimo de 545 reais como "uma bobagem" e já adianta que não vai ceder: "Eu não voto esse troço. E isso não é um problema de conversa, é um problema de convicção".
Oposição - O líder do PSDB, Alvaro Dias, promete batalhar não só por um mínimo de 600 reais, mas também pela mudança em um dispositivo controverso do projeto de lei enviado pelo Planalto ao Congresso: o artigo que permite ao Executivo reajustar o mínimo por decreto entre 2012 e 2015: "O debate no Congresso sempre proporcionou ganhos aos trabalhadores. Retirar essa prerrogativa é eliminar o debate", critica.
A variedade de posições dentro da base do governo pode dar a falsa impressão de que a aprovação do mínimo de 545 reais corre riscos no Senado. Na prática, a hipótese é descartada mesmo por representantes de PSDB, DEM e PPS. A conta, pragmática, feita pelos oposicionistas é de que haverá pouco mais de 20 votos contra a proposta do governo, num universo de 81 senadores. A questão a ser resolvida pelo governo até a próxima quarta-feira, dia de votação do mínimo no Senado, é menos matemática do que ideológica.(Gabriel Castro)

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