7 de fevereiro de 2011
Opinião: Brasil de Macunaima ou de Policarpo Quaresma
Uma nação é formada por milhões de pessoas com características próprias, mas mesmo assim especialistas conseguem detectar o caráter de um país. “A herança colonial da formação do Brasil marcou negativamente a formação do nosso próprio caráter.
Concentração de terras, escravidão e analfabetismo foi o que a herança lusitana nos deixou”, avalia Dejalma Cremonese, professor do Instituto de Sociologia e Política da Universidade Federal de Pelotas (RS).
Segundo ele, ainda hoje o povo brasileiro manifesta um caráter individualista e pouco solidário. “A solidariedade aparece somente em casos extremos – enchentes, secas ou algo parecido. Ela não deve ser a exceção, mas a regra. A elite sempre foi solidária com ela mesma, enquanto os excluídos sempre foram jogados para segundo plano”, afirma Cremonese.
Dois personagens da literatura são fundamentais na visão de caráter do brasileiro – Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, e Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. Se o primeiro é um tipo preguiçoso e sem pudores para burlar as regras de conduta ou para utilizar a perspicácia em proveito próprio, o segundo é o herói da integridade, do caráter e da retidão moral.
“Se existe a característica de um Macunaíma no caráter do povo brasileiro é porque é fruto da herança cultural brasileira. Já Policarpo é a antítese de Macunaíma e talvez seja o nosso protótipo a ser alcançado”, acrescenta Cremonese.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário