15 de fevereiro de 2011
Paim quebra paredão petista contra mínimo de R$ 545 e adesão cresce
O senador Paulo Paim (PT-RS) rompeu o dique de contenção das insatisfações petistas com o salário mínimo de R$ 545 (sem ganho real em relação à inflação de 2010).Num discurso no Senado, quebrou o silêncio da bancada petista e defendeu a antecipação de 3% dos 15% do reajuste do salário mínimo a ser pago a partir de janeiro de 2012. A proposta de Paim, já aceita pelas centrais sindicais, corresponde ao aumento do Produto Interno Bruto (PIB) somado à inflação de 2011. O senador gaúcho sempre foi um calo no sapato do governo por causa de suas posições, digamos, ´corporativistas`. Nunca abriu mão defender o fim do fator previdenciário e o reajuste de aposentadorias igual ao do salário mínimo para todas as faixas, o que deixa a equipe econômica em pé de guerra. Ex-metalúrgico da mesma geração de sindicalistas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cria ainda mais problemas porque oferece um discurso mais eficiente para a oposição. Foi o que fez ao argumentar que dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram uma alta de 15,8% no preço da cesta básica. Segundo ele, as perdas serão maiores para os pobres das regiões Norte e Nordeste, onde a inflação foi maior.
Calculadora - Caso o mínimo fosse reajustado para R$ 580, ainda assim o déficit da Previdência diminuiria de R$ 42,9 bilhões para R$ 42,4 bilhões. Mas se ficar em R$ 545, como quer o governo, o déficit cairá nominalmente em 13%, ou seja, para R$ 36 bilhões. As contas da Previdência Social não são a grande preocupação do governo em relação ao salário mínimo, mas sim a inflação. Desde 2004, a necessidade de aporte à Previdência por causa do valor das aposentadorias está em queda: era 1,80% do PIB em 2004; 1,78%, em 2006; 1,20%, em 2008; subiu em 2009, ano da crise, para 1,36%; e retornou para 1,21%, em 2010. Graças ao aumento do número de empregos formais.
Enquadrada - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi - um mero coadjuvante governista, sempre em posição inferiozada nas negoaições do mínimo - se reuniu nesta terça-feira com a bancada do PDT em mais uma tentativa de enquadrar os correligionários em relação à votação do salário mínimo. Quis falar grosso para isolar o deputado paulista Paulo Pereira da Silva líder da Força Sindical. O argumento falho de Lupi foi de que o governo já tem ampla maioria para aprovar sua proposta e que uma posição rebelde da bancada sofrerá retaliações. A essa altura do campeonato, o ministro,desesperado, corre o risco de perder o cargo se não for capaz de conter a rebelião dos correligionários.
Preservada - Em encontro reservado com Gilberto Carvalho, no Palácio do Planalto, o presidente da CGTB, Antônio Neto, disse ao ministro que a equipe econômica de Dilma será o principal alvo dos protestos` das centrais sindicais. ´Estamos em lados opostos nessa batalha, mas não queremos confronto. As centrais discordam dos gastos de bilhões com juros e com as reservas internacionais, que sacrificam o povo. Vamos poupar a presidente Dilma no protesto`, disse.
Fatiada - O acordo de procedimento feito entre o governo e a oposição para votar o salário mínimo é o seguinte: duas emendas ao projeto serão analisadas. A primeira, do PSDB, reajusta o mínimo para R$ 600; em seguida, será apreciada a proposta do DEM, de R$ 560. Se ambas forem derrotadas, prevalecerá a proposta de R$ 545, que é do governo.
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