24 de fevereiro de 2011

Reajuste de 11,6% eleva o menor salário a R$ 610,00 no RS

O cálculo do índice proposto pelo governo inclui a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que foi de 4,3% em 10 meses, mais 7,91% de aumento real. Com o projeto que será encaminhado à Assembleia Legislativa, as faixas salariais ficam em R$ 610,00; R$ 624,05; R$ 638,20 e R$ 663,40. Segundo o Dieese, 1,13 milhão de trabalhadores devem ser beneficiados pelo reajuste.
De acordo com Tarso Genro, os valores propostos pelo governo levam em conta o estado atual da economia gaúcha e a capacidade de pagamento das empresas. Para o governador, embora o pedido feito pelas centrais sindicais - um aumento de 12,59% com o piso a R$ 641,00 - tivesse fundamento, não seria possível dadas as condições atuais do desenvolvimento do Estado.
O governador destacou ainda que, embora os índices anunciados simbolizem uma visão de recuperação dos valores do mínimo regional, o governo não tem o objetivo de restaurar o valor de 28% acima do nacional, como era quando foi criado em 2001. No entanto, a meta é recuperar seu valor ao longo do tempo. Atualmente, o mínimo regional é 7,06% maior do que o nacional. Em 2010, o reajuste foi de 6,9%. Com a proposta atual, o regional vai valer 12% a mais que o nacional.
Segundo o secretário-chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, o governo criará uma comissão de negociação composta por representantes de empresários e trabalhadores, sob a coordenação do secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Marcelo Danéris, para construir a política de reajuste do piso.
A expectativa do governo para a aprovação do novo mínimo regional é muito alta. O projeto de lei com a proposta do governo deverá ser encaminhado à Assembleia Legislativa até o final do mês. "Acredito que não haverá dificuldades", destacou a deputada estadual Miriam Marroni (PT), líder do governo na Assembleia.
Os sindicalistas, no entanto esperavam mais do governo. Em reunião com o governador na manhã de ontem, as centrais propuseram dividir as perdas dos últimos anos, de quase 30%, em quatro vezes. Inicialmente a reivindicação era de recuperar as perdas em duas parcelas. Nesta condição, os trabalhadores reivindicaram reajuste para este ano de 12,59% ou piso mínimo de R$ 615,38.
O presidente da CUT-RS, Celso Woyciechowski, acredita que, embora o valor oferecido pelo governo atenda às expectativas dos trabalhadores no momento, eles são insuficientes para alcançar a recuperação necessária. "As perdas que tivemos nos últimos anos foram de 27,41% precisaríamos de reajuste um pouco maior", afirmou. Para Woyciechowski, a meta das centrais sindicais é voltar ao patamar de 28% a mais do que o salário nacional.
Presidentes de entidades empresariais tiveram uma reunião com o governo do Estado na tarde de ontem, em que defenderam um reajuste condizente com a realidade do mercado. Para o presidente da Fecomércio-RS, Zildo De Marchi, a proposta de 11,6% gera para a economia um valor artificial, fora da realidade das empresas. "O risco que corremos, principalmente em municípios do Interior gaúcho, é termos um estímulo à informalidade", afirmou.
Segundo o presidente da Federasul, José Paulo Dornelles Cairoli, o índice de 11,6% para o aumento não tem sentido. "Se o crescimento real do salário-mínimo foi de 7%, e do PIB gaúcho 7,8%, qual a justificativa para esse número?", questionou. O dirigente também afirmou que a manutenção do mínimo regional era desnecessária.
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Paulo Tigre, salientou que o salário gaúcho contamina as negociações das categorias organizadas com os seus sindicatos e não respeita as peculiaridades de cada segmento e municípios. O salário nacional, afirmou, já recuperou o poder de compra dos trabalhadores e, portanto, não há razão para a existência do estadual.

Um comentário:

  1. É rídiculo esse salário mínimo regional. Todos os brasileiros deveriam receber um mínimo igual e, principalmente, que desse condições de ter vida digna. O que o governo central fez em deixar em R$ 545,00 é o mesmo que incentivar a violência. Ninguém consegue viver com essa gorjeta. Será que a presidente viveria com R$ 545,00? Não! então por que exigir que outros vivam? Se prefeituras não podem pagar, só podemos ver aí um cabide de emprego, afinal um município que não tem caixa para se manter nunca deveria ter sido emancipado. .....mas como políticos querem e precisam de emprego fazem tudo que é tipo de falcatrua para se garantirem, inclusive emancipar município que só tem caixa para pagar prefeito e vereadores.

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