21 de fevereiro de 2011

Eu daria tudo para ter amigos como vocês


Pítias, condenado à morte pelo tirano Dionísio, passava na prisão os seus últimos dias.

Dizia não temer a morte, mas como explicar que seus olhos se enchessem de lágrimas ao ver o caminho que se abria diante das grades da prisão?
Sim, era a dura lembrança dos velhos pais! Era ele o arrimo e o consolo deles.

Não mais suportando, um dia Pítias disse ao tirano:

- Permita-me ir à casa abraçar meus pais e resolver meus negócios. Estarei de volta em quatro dias, sem acrescentar nem uma hora a mais.

- Como posso acreditar na sua promessa? Os caminhos são desertos. O que você quer mesmo é fugir - respondeu Dionísio, irônica e zombeteiramente.

- Senhor, é preciso que eu vá. Meus pais estão velhinhos e só contam comigo para se defenderem - insistiu Pítias com o olhar nublado de lágrimas.

Vendo que o tirano se mantinha irredutível, Damon, jovem amigo de Pítias, interveio propondo:

- Conceda a licença que meu amigo pede; conheço seus pais e sei que carecem da ajuda do filho. Deixe-o partir e garanto sua volta dentro dos dias previstos, sem faltar uma hora, para lhe entregar a cabeça.

A resposta foi um "não" categórico.

Compreendendo o sofrimento do amigo, Damon propôs ficar na prisão em lugar de Pítias e morreria no lugar dele se necessário fosse. O tirano, surpreendido, aceitou a proposta. Depois de um prolongado abraço no amigo, Pítias partiu.

O dia marcado para sua execução amanheceu ensolarado. As horas passavam céleres e a guarda já se mostrava inquieta.

Entretanto, Damon procurava restabelecer a calma, garantindo que o amigo chegaria em tempo.

Finalmente chegara a hora da execução.

Os guardas tiraram os grilhões dos pés de Damon e o conduziram à praça, onde a multidão acompanhava em silêncio a cada um dos seus passos. Subiu, então, ao cadafalso.

Uma estranha agitação levou a multidão a prorromper em gritos. Era Pítias que chegava exausto e quase sem fôlego.

Porém, rompendo a multidão, galgou os degraus do cadafalso, onde, abraçando o amigo, entregou-se ao carrasco sem o menor pavor.

Os soluços da multidão comovida chegaram aos ouvidos do tirano.

Este, pondo-se de pé em sua tribuna, para melhor se convencer da cena que acabava de acontecer na praça, levantou as mãos e bradou com firmeza:

- Parem imediatamente com a execução! Esses dois jovens são dignos do amor dos homens de bem, porque sabem o quanto custa a palavra. Eles provaram saber o quanto vale a honra e o bom nome!

Descendo imediatamente daquela tribuna, dirigiu-se a Pítias e a Damon.

Dionísio estava perplexo e, abraçando-os com comoção, disse-lhes:

- Eu daria tudo para ter amigos como vocês.

Paim se mostra aberto a acordo para votar em mínimo de R$ 545

Senador visto como foco de resistência à proposta
do Planalto diz que 'risco do governo é zero'


Até então considerado uma barreira no Senado para a aprovação do salário mínimo de R$ 545, o senador Paulo Paim (PT-RS) sinalizou a intenção de apoiar a proposta desde que tenha abertura para negociar uma política de aumento real dos aposentados e uma proposta alternativa para o fim do fator previdenciário (aprovado no Senado, mas que tramita na Câmara).

Principal resistência do governo, o senador Paulo Paim (PT-RS) deve apoiar o governo desde que se negocie o fim do fator previdenciário
Em entrevista ao iG, Paim confirmou que está bem propenso a votar na proposta de aumento do mínimo defendida pela presidenta Dilma Rousseff. “Isso, isso. Levando em consideração os outros temas (política de aposentados e fator previdenciário), eu acho que dá para caminhar (votar na proposta de R$ 545) para não ter que voltar para a Câmara”, disse.
Como se trata de projeto de lei, uma mudança no texto aprovado no Senado obriga uma nova votação na Câmara. Ninguém acredita, no entanto, na possibilidade de isso ocorrer. Para marcar posição, o PSDB e o DEM deverão apresentar, respectivamente, emendas com os valores de R$ 600 e R$ 560 para o salário mínimo.
Para Paim, a vitória do governo deverá ser tranquila. “Não tenho nenhuma dúvida. O risco do governo é zero. Meu voto tem mais um simbologia do que qualquer outra coisa. Eu trato do salário mínimo há 30 anos”, disse.

Governo teme fim do fator previdenciário

O governo vai tentar convencer o senador Paulo Paim a desistir de sua campanha contra a proposta que reajusta o salário mínimo para 545 reais. O Planalto não teme apenas que a posição de Paim influencie outros senadores da base aliada nessa votação. A maior preocupação é que o senador gaúcho, único dissidente da bancada do PT, queira aproveitar o debate sobre o salário mínimo para também tentar acabar com o fator previdenciário, que condiciona a aposentadoria do INSS à idade do trabalhador.
Ao contrário dos que rejeitam a fixação de uma idade limite para aposentadoria pelo Regime Geral da Previdência, o senador alega que isso já é feito pelo mecanismo do fator, e "de forma injusta e cruel".
"Quem ganha 3,5 mil reais só pode se aposentar com 1,8 mil ou 2 mil reais, no máximo, devido ao fator previdenciário", critica o senador.
O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, já se manifestou favoravelmente ao fim do fator previdenciário, mas reconhece que dificilmente o assunto será tratado este ano.
Depois da vitória expressiva obtida na Câmara, o governo quer evitar que a discussão no Senado sobre o mínimo se transforme num problema. Na prática, o governo sabe que se alguma alteração for feita pelos senadores, o projeto terá que ser rediscutido

Senadores e ministros devem se encontrar para discutir reajuste dos aposentados

Antes da votação do projeto do Executivo que estabelece o valor do salário mínimo para 2011 e a política de valorização até 2015, os parlamentares da bancada do PT devem se reunir com os ministros envolvidos nas negociações para tentar propor alternativas de reajuste para os aposentados.
O encontro deve ocorrer nesta terça-feira, de acordo com o senador Paulo Paim (PT-RS). O senador pretende apresentar uma emenda a proposta já aprovada na Câmara dos Deputados sugerindo, além do reajuste aprovado, que ao salário mínimo ainda seja acrescido mais 2,75% aos aposentados e pensionistas.
Esse percentual, segundo Paim, seria parte do reajuste de 2012, que pode chegar a 12% considerando as regras estabelecidas, segundo a Agência Brasil. Para o senador, essa é a melhor proposta para recompor o valor do piso. Ele reforçou que é preciso estabelecer também uma política de reajustes específica para aposentados e pensionistas.
Para garantir um ganho real aos aposentados e pensionistas da Previdência Social, o senador afirmou que o fim do fator previdenciário é um dos caminhos. “Quem ganha R$ 30 mil se aposenta com salário integral e quem ganha R$ 3,5 mil só pode se aposentar com, no máximo, R$ 2 mil, devido ao fator previdenciário”, disse, em discurso no Plenário.
Aprovação - Nesta semana, o Plenário da Câmara aprovou o projeto de lei do Executivo, que fixa em R$ 545 o salário mínimo, com vigência a partir do mês seguinte ao de publicação da futura lei. O valor de R$ 545 era defendido pelo governo. Segundo dados do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ele traz um impacto para os cofres públicos de R$ 10,5 bilhões.
A medida ainda determinou a política de valorização do mínimo. Até 2015, o salário será reajustado levando-se em conta a inflação acumulada do ano anterior e mais o PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos anteriores.
Durante a votação, as emendas da oposição foram rejeitadas. O Plenário da Câmara desaprovou o mínimo de R$ 600 proposto pela bancada do PSDB e o valor sugerido pelas centrais sindicais de R$ 560.
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Votação do salário mínimo marca a semana trabalhista e política


O senador Paulo Paim (PT-RS), de dentro da base do governo, anunciou que irá propor uma emenda para antecipar R$ 15 do reajuste do salário mínimo que seria feito no próximo ano. Com poucos dissidentes no Senado, o governo espera aprovar sua proposta de salário mínimo de R$ 545
O Senado terá uma semana intensa, apesar de o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), já ter avisado que o projeto do salário mínimo será a única votação relevante que deverá acontecer na Casa. Governo e base aliada deverão estar concentrados para a aprovação da matéria, cuja votação está prevista para quarta-feira.
Os líderes dos partidos da base aliada terão um encontro com a presidenta Dilma Rousseff para a reunião do Conselho Político, quando os discursos devem ser afinados sobre a votação de quarta-feira. Com poucos dissidentes no Senado, o governo espera aprovar o novo valor do salário mínimo, de R$ 545, com ampla margem de votos e sem emendas que obriguem o texto a voltar para a Câmara.
Para o governo, também é importante contar com a coesão dos aliados para impedir que a oposição derrube o Artigo 3º do projeto de lei, que prevê que o governo poderá reajustar o mínimo por decreto até 2015, de acordo com as regras da Política Permanente de Valorização do Salário Mínimo. Além dos oposicionistas, dentro da base aliada, o governo já conta com um voto contrário ao artigo, anunciado pelo senado Roberto Requião (PMDB-PR). Ele avisou que considera o assunto inconstitucional e que votará a favor de emendas que ampliem o valor do mínimo para R$ 560.
Ainda dentro da base, Dilma também já encontra resistência ao valor de R$ 545. O senador Paulo Paim (PT-RS) anunciou que irá propor uma emenda para antecipar R$ 15 do reajuste que seria feito no próximo ano, atendendo assim à proposta das Centrais Sindicais que pedem um mínimo de R$ 560.
Para tentar conter os dissidentes, o líder do PT, Humberto Costa (PE), fará amanhã uma reunião com a própria bancada, e os senadores do seu bloco - PRB, PR, PSB, PDT e PCdoB. Costa avisou que irá cobrar "reciprocidade" dos senadores aliados e que trabalhará para derrubar todas as emendas que forem apresentadas. No mesmo dia, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, estão convidados a esclarecer

Aécio quer desbancar PT e aproximar PSDB dos sindicatos


O encontro com representantes das centrais sindicais na semana passada foi o ensaio de uma estratégia mais ampla do PSDB para tentar obter uma interlocução com as entidades trabalhistas. O diagnóstico é que, para voltar ao poder, o partido precisa ampliar sua base social e romper o monopólio do PT junto às centrais sindicais - que, além de reunirem expressivo número de filiados, dispõem de ampla estrutura de propaganda política.
A aproximação com os sindicatos faz parte do projeto do senador Aécio Neves (MG) para tentar se cacifar para a eleição presidencial de 2014. O principal alvo dos tucanos é a Força Sindical, ligada ao PDT do ministro Carlos Lupi (Trabalho) e de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. A aproximação entre Aécio e Paulinho irritou tanto o Palácio do Planalto quanto a ala tucana ligada a José Serra, que defendia R$ 600 para o mínimo. Aécio encampou os valor das centrais: R$ 560.
Ligação umbilical - Apesar da derrota inconteste que sofreu na votação do mínimo, a oposição avalia que o debate serviu para provocar a primeira cizânia na unidade sindical em torno do governo, inabalável na gestão Lula.
Além da já umbilical ligação entre a CUT e o PT, Lula conseguiu fidelizar também as demais entidades. Isso se deu graças à divisão de cargos em organismos do governo e, principalmente, ao repasse do imposto sindical para as seis centrais, o que irrigou seus cofres com R$ 146 milhões desde 2008.
"Não podemos deixar como única alternativa para essas forças se aliar ao PT", disse Aécio. Ele argumenta que "não existe partido social-democrata no mundo sem uma seção sindical". Mas, num sinal de que esse tema não é unânime no PSDB, o senador Aloysio Nunes (SP), um dos principais serristas, acha que o partido não deve ter com os sindicatos a mesma relação do PT. Ele criticou o fato de as centrais serem "alimentadas pelo imposto sindical" .

Mínimo de R$ 545 afeta salário dos informais

A interrupção do aumento real (descontada a inflação) do salário mínimo em 2011, com a fácil aprovação pelo governo do novo valor de R$ 545 na Câmara dos Deputados, pode afetar também os salários mais baixos pagos na economia informal brasileira, para trabalhadores no limite da extrema pobreza.
Pesquisa recente do economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que, desde 2004, a alta do salário mínimo tem puxado, com a mesma intensidade, o verdadeiro piso do mercado de trabalho, que são as menores remunerações do setor informal.
O salário mínimo saltou de R$ 260 em 2004 para R$ 465 em 2009. Em termos reais, já descontada a inflação, o aumento foi de 42%. Os dados de Barbosa Filho mostram que o “salário base”, o ganho médio sem carteira assinada de um jovem trabalhador negro com primário incompleto e sem experiência profissional, subiu de R$ 79 para R$ 161 no mesmo período. Em termos reais, o ganho foi de 61%.
Mas se a comparação for feita com 2003 (em 2004 houve queda real do salário base), a alta é de 47%, próxima da registrada pelo mínimo. O economista usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), cujos últimos resultados são de 2009. “Os pobres pedem aumento quando o mínimo sobe e acaba funcionando como uma espécie de indexador”, diz Barbosa Filho

Planalto quer conter Paim para manter mínimo de R$ 545,00


O governo vai tentar convencer o senador Paulo Paim a desistir de sua campanha contra a proposta que reajusta o salário mínimo para R$ 545. O Planalto não teme apenas que a posição de Paim influencie outros senadores da base aliada nessa votação.
A maior preocupação é que o senador gaúcho, único dissidente da bancada do PT, queira aproveitar o debate sobre o salário mínimo para também tentar acabar com o fator previdenciário, que condiciona a aposentadoria do INSS à idade do trabalhador.
Ao contrário dos que rejeitam a fixação de uma idade limite para aposentadoria pelo Regime Geral da Previdência, o senador alega que isso já é feito pelo mecanismo do fator e “de forma injusta e cruel”.
“Quem ganha R$ 3,5 mil só pode se aposentar com R$ 1,8 mil ou R$ 2 mil, no máximo, devido ao fator previdenciário”, critica o senador.
O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, já se manifestou favoravelmente ao fim do fator previdenciário, mas reconhece que dificilmente o assunto será tratado em 2011.