13 de setembro de 2011

Calote do consumidor volta a subir e bate 29% no ano

Os clientes de banco voltaram a dar calote em agosto. Segundo pesquisa da consultoria Serasa Experian, a inadimplência do consumidor apontou alta de 3% no mês passado, ante os 2,9% de julho. Na análise anual, o calote cresceu 29,2%, ou seja, a cada 100 clientes bancários endividados, 30 não conseguiram pagar suas contas de janeiro até o mês passado.
Segundo os economistas da Serasa Experian, os juros elevados no crédito e as compras parceladas no Dia dos Pais são os culpados pela inadimplência do consumidor em agosto. Ainda de acordo com os especialistas, o aumento nos registros de dívidas não honradas junto aos bancos reafirma a alta.
13º VAI ALIVIAR - “O pagamento da primeira parcela do 13º salário, em novembro, pode dar um fôlego extra às finanças do consumidor, que poderá priorizar o pagamento das dívidas assumidas anteriormente”, ressaltaram os consultores. Na decomposição do indicador, a inadimplência com os bancos continua a ser a principal responsável pela alta do índice mensal, com crescimento de 6,0%. Já os cheques sem fundos colaboraram para a alta da taxa com uma variação de 4,5%.
“Com os soldos defasados, quase todos os militares estão endividados. Basta uma despesa inesperada aparecer, que a situação fica insustentável”, diz Ivone Luzardo, presidente da União das Esposas dos Militares das Forças Armadas.
Preço sobe e juros caem - As instituições financeiras elevaram as previsões para a inflação neste ano e em 2012, segundo o relatório Focus divulgado ontem pelo Banco Central (BC), e reduziram as projeções para juros bancários.
Os agentes de mercado consultados estimam que o ÍndiceNacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2011 a 6,45%, ante projeção de 6,38% da semana passada.
Já a previsão para a taxa básica de juros do País (Selic) em 2011 ficou em 11% para o final do ano. Na semana passada, a mesma estimativa era de 12,38%.

Oito dicas - Evite as chamadas compras por impulso ou por hábito. Fuja dos produtos supérfluos e priorize marcas menos conhecidas.
- Faça lista antes de ir ao supermercado ou à feira. Isso evita a compra de produtos desnecessários.
- Observe preços nas gôndolas. Se um artigo ficar muito caro, opte pela substituição por similar.
- Peça dica aos verdureiros e fruteiros dos mercados. Eles sabem quais são os itens em safra, portanto os mais acessíveis em termos de valor e qualidade.
- Não se engane com promoções do tipo leve 2 em 1. O pacote pode sair mais caro e nem sempre há necessidade de estocar.
- Controle seus gastos fazendo uma lista de prioridades.
- Negocie com os credores a incidência de juros, trocando a modalidade de empréstimo
- Evite almoços fora de casa.
REDUÇÃO — Quem aposta que a inadimplência vai cair neste fim de ano mira no dinheiro que virá no 13º salário e na redução dos juros, iniciada após o corte na taxa básica da economia (Selic), de 12,50% para 12% ao ano, no último dia 31.

CARO — O aumento de preços tem contribuído para deixar as contas das famílias no vermelho. O destaque é o tomate, que, de setembro de 2010 até agosto, ficou 50,4% mais caro, ou seja: R$ 2 gastos com tomate se tornaram R$ 3 neste ano.

STJ concede desaposentação e benefício de segurado aumenta 58%

Decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de 24 de agosto, garantiu reajuste de 58,5% a aposentado do INSS no Paraná que entrou com ação para ter direito à chamada desaposentação. O segurado continuou trabalhando com carteira assinada, após se aposentar, e contribuiu para o INSS neste período. O Judiciário reconheceu que seria procedente encerrar uma aposentadoria e iniciar outra, levando em conta recolhimentos feitos após a concessão inicial. Assim, o benefício passou a ter valor maior. A aposentadoria do segurado pulará dos atuais R$ 825,09, para R$ 1.307,41, por mês, euivalento a um aumjento de 585.
A sentença do STJ abre grande precedentes para aposentados do INSS na mesma situação, que devido aos baixos benefícios são obrigados permanecer na ativa. Estimativas do IBGE apontam que pelo menos 500 mil pessoas teriam direito à revisão por terem continuado a trabalhar com carteira assinada, depois de se aposentar e recolhendo mensalmente para a Previdência.
SEM DEVOLVER - Outro ponto favorável é que o aposentado não vai precisar devolver o que recebeu durante a primeira aposentadoria, algo em torno de R$ 280 mil. Pela decisão, o STJ entendeu que a renúncia à aposentadoria, para fins de aproveitamento do tempo de contribuição e concessão de novo benefício, não implicaria na devolução dos valores recebidos. O argumento é que enquanto vigorou a aposentadoria inicial, os pagamentos, de natureza alimentar, eram indiscutivelmente devidos pelo INSS.
Segundo o advogado previdenciário Eurivaldo Neves Bezerra, o Judiciário tem sido bastante favorável aos aposentados. “O pedido de correção é feito considerando as contribuições feitas durante o período trabalhado após a aposentadoria”, explica.
DIREITO LIMITADO - É preciso ficar atento antes de entrar com ação requerendo a desaposentação. Segundo advogados, nem todo aposentado que continuou a trabalhar terá correção, apesar que fazer jus ao recálculo. Isso aconteceu com o aposentado Álvaro da Silveira Freire, 42 anos. Ao procurar consultoria jurídica, foi informado que não valeria à pena. As contribuições feitas após a aposentadoria não aumentariam o benefício.
PROJETOS FAVORÁVEIS - Há cinco iniciativas na Câmara de Deputados para garantir o direito à desaposentação. Os projetos (PLs) foram reunidos para tramitação em conjunto. Ao PL 5.668/09, do deputado Celso Maldaner (PMDB/SC), foram agrupados os PLs 5.693/09, de Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP), 6.552/09 de Rodrigo Rollemberg (PSB/DF), 6.951/10 de Cleber Verde (PRB/MA) e 7.369/10 de Eduardo Barbosa (PSDB/MG). Todos alteram a Lei 8.213, 1991, para permitir o recálculo.