14 de março de 2012
Dilma volta a discriminar aposentados que ganham mais de um salário
A proposta de reajuste escalonado para aposentados e pensionistas do INSS, apresentada na terça-feira pelo ex-líder do governo na Câmara e relator da Medida Provisória 475/09, que trata do tema, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi rejeitada pela Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap) e pela Força Sindical. A recusa acrescenta à novela do aumento mais um capítulo de suspense.
A proposta do governo mantém o índice de 9,6% para os 18 milhões que ganham o salário mínimo (R$ 510), 7,71% para os 6 milhões que recebem até três pisos (R$ 1.395) e nada de revisão para os 2,5 milhões de benefícios acima disso, que terão mesmos 6,14% dados em janeiro. A saída mantém a previsão de gasto adicional de R$ 1,1 bilhão para pagar o reajuste de 7% aos 8,5 milhões. O risco de enfrentar enxurrada de ações judiciais pode fazer o relator voltar aos 7% para todos. Vaccarezza levou a proposta à equipe econômica e ao presidente Lula, que consentiu, diante do argumento de que há segurados que recebem até R$ 50 mil. O líder não tem estudo de impacto financeiro entre segurados acima de R$ 1.395.
O presidente da Cobap, Warley Martins já se manifestou contra a proposta. “Estão querendo fatiar nossos salários e fazer diferenciações entre as pessoas”, comenta. Para ele, o embate maior será no próximo dia 27, quando o relatório será apresentado. “A atual proposta do governo é discriminatória, prejudicando quem ganha valores próximos ao teto. O aumento de 7,71% vai injetar cerca de R$ 1,7 bilhão na economia, gerando consumo e, consequentemente, mais produção e empregos”, divulgou a Força Sindical. Como os líderes do Senado e da Câmara fecharam com os 7,7%, será grande a pressão sobre o governo, em ano de eleições. O veto pode representar risco nas urnas.
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