7 de dezembro de 2012
Crise Dilma-Sindicatos pode tomar corpo e se estender ao meio político
Segundo informações colhidas por este blog, em Brasília, no início da noite desta sexta-feira, outras entidades deverão seguir o exemplo da Força Sindical e, do mesmo modo, devem romper com o governo Dilma, pelas mesmas razões apontados: falta de diálogo; não atendimento de propostas do meio sindical, arrocho salarial, inclusive com o funcionalismo público e militar; desoneração da folha de pagamento criando problemas à Previdência Social; perdas de benefícios no INSS previsto com a reforma do ano que vem e, entre outras, a má remuneração do FGTS e desvio de verbas desse Fundo para à Copa 2014.Claro que a não correção correta das aposentadorias e pensões também servem para tornar as relações sindicatos-governo mais ácidas, assim como a manutenção do fator previdenciário.
Líderes com espaço no Palácio do Planalto se consideram desprestigiados, mesmo sendo do mesmo partido governista e se classificam órfãos junto aos altos escalões. Abstendo tal aspecto, o que se denota é que o ministro-chefe da Secretaria-Geral Presidência da República Gilberto Carvalho, não consegue mais fazer a interlocução com os trabalhadores coma mesma eficiência e respeito, na medida que canais de diálogos estão completamente fechados. “Dilma pediu que eu seja um sensibilizador das demandas sociais”, disse Gilberto Carvalho, por ocasião de sua nomeação. Isto, hoje, é uma utopia.
Gilberto Carvalho é um dos nomes históricos do PT e possui forte ligação com o movimento social e com os movimentos de base da Igreja, de inspiração a partir da Teologia da Libertação. O secretário-geral da Presidência iniciou sua militância na Pastoral Operária, organização da qual foi coordenador nacional, transitou para a militância sindical e posteriormente afirmou-se como uma importante liderança do Partido dos Trabalhadores, sendo secretário geral do partido por vários anos. Gilberto ainda coordenou o Instituto Cajamar de formação criado pelo PT e pela CUT.
No primeiro ano de governo Dilma, conseguiu “administrar” e qualificar a relação com o movimento social, não sem muitas tensões como nos casos da rebelião de Jirau e na polêmica construção de Belo Monte.
Esta semana cinco presidentes de Centrais foram "ignorados" pelo Palácio do Planalto. Eles queriam uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff. O objetivo é claro: desejam que o governo federal coloque em votação ainda este ano o projeto que cria uma alternativa para o fator previdenciário. O documento é assinado por dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), União Geral dos Trabalhadores (UGT) e da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), segundo informou Vagner Freitas, presidente da CUT.
No momento, o que se pode dizer é que as sucessivas crises do governo Dilma passam a ter outra conotação pelo rompimento até agora de uma Central Sindical. Como praticamente já entramos no processo sucessório de 2014 isso - com toda a certeza - terá reflexos no meio político, cujos desdobramentos são impossíveis de se estabelecer agora. Evidente que se for uma decisão que ganhe corpo com a adesão das demais, os alicerces do Planalto vaõ tremer. (Oscar Andrades)
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