14 de outubro de 2012
Tormentos no coração de criança com obesidade e as podres delícias
*Américo Tângari Jr.
Planeta tem 15 milhões de toneladas de excesso de peso, diz pesquisa
Crianças e adolescentes adoram hambúrguer, ainda mais com aquele catchup escorrendo pelos dedos; passam ali horas a fio, nas praças de alimentação dos shoppings, “lambendo podre delícia”, como na música de Milton Nascimento e Fernando Brant. Uma farra regada a muito açúcar, gorduras e sódio. Uma delícia também para algumas mães, que se valem do gosto de seus filhos pelo fast food para se livrar de algumas obrigações caseiras. Se for só num dia de fim de semana, ainda passa.
Depois, se as crianças já estão um pouco roliças, a pele esticada nos contornos arredondados das faces e da cintura, essas mães ficam felizes, sinal de saúde. Uma herança do passado, quando se pensava que criança com sobrepeso era criança saudável. Não corria nem pulava como as outras, mas comia bem, graças a Deus! E a bochecha gorda ficava à disposição daquele tio chato que vinha beliscar e apertar.
Pois bem, senhores pais: livrem-se desses costumes, evitem que se tornem rotineiros; é um grande passo para a boa saúde de seus filhos no futuro. Por mais que eles insistam, desviem o rumo para outros endereços dentro ou fora dos shoppings. Criança obesa não é saudável; ao contrário, pode estar a caminho de uma vida de tormentos no cuidado com a saúde.
O problema não é só aquele passeio ao shopping ou o mau hábito: é a rotina, a insistência nesse tipo de alimentação. Prazer que se torna um perigo também na pizza de todo dia. É mais fácil pegar o telefone e pedi-la em casa, mas saiba que a consequência pode ser danosa.
É muito importante que se saiba que nada pode ser proibido como numa ditadura, nem o hambúrguer. O que vale mais é o bom senso, a informação usada para o bem.
Um estudo recente da Universidade de Oxford veio comprovar mais uma vez que a obesidade infantil pode trazer mais riscos do que se supunha anteriormente. Crianças com peso acima do normal têm um risco de 30% a 40% maior de, no futuro, sofrerem enfarte e outras doenças em comparação às outras com índice de massa corpórea (IMC) normal.
Mas sabemos que a principal causa da obesidade é a má alimentação, seguida pelo sedentarismo. Os hábitos alimentares, ao contrário do que muitos imaginam, são consequência dos estímulos recebidos na infância.
Os pais devem ser os maiores incentivadores dos filhos para a ingestão de alimentos ricos em vitaminas como frutas, legumes e verduras. A prática de atividades físicas desde cedo faz crescer o gosto pelo esporte e é importante aliada no combate a problemas cardiovasculares na fase adulta. Isto ajuda o coração a desenvolver artérias colaterais, que no futuro poderão ser fundamentais para a saúde vascular.
Crianças devem ser incentivadas a apreciar a atividade esportiva associada a diversão, especialmente em grupo, como futebol, natação, vôlei, basquete e jogos recreativos, que requerem movimentação corporal (pega-pega, esconde-esconde etc).
O fato é que o coração de uma criança tem características próprias a serem consideradas no momento da avaliação médica, da infância até a adolescência. Qualquer situação anormal identificada pelo pediatra deverá ser investigada por um cardiologista.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 15% das crianças e 8% dos adolescentes são obesos. E oito em cada dez continuam a ter excesso de peso na fase adulta. Portanto, reflita: vale muito mais a pena fugir de um hambúrguer do que uma corrida inesperada ao hospital.
*Américo Tângari Jr. é médico cardiologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
Sacroileíte: saiba mais sobre a doença do ministro Joaquim Barbosa
Inflamação nas articulações que ficam na base da coluna com o quadril fez ministro abandonar futebol, um de seus hobbies prediletos
Dores quase insuportáveis fazem ministro Joaquim Barbosa acompanhar julgamento do mensalão em pé. Foi preciso tentar uma posição diferente, depois uma cadeira especial, uma almofada térmica para aquecer e relaxar os músculos e, por fim, e sem solução, ficar em pé. A inquietude apresentada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa tem por trás dores quase insuportáveis causadas por uma doença da qual pouco se fala: a sacroileíte.
A doença que atrapalhou o ministro durante o julgamento do mensalão e o fez sustentar boa parte de seus votos de pé — enquanto os outros magistrados o fazem sentados — ocorre por causa de uma inflamação das articulações sacroilíacas, ou seja, aquelas que conectam a parte inferior da coluna com a pélvis (quadril). Quem sofre da Patologia, explica o ortopedista Dr. Luiz Eduardo Munhoz da Rocha, presidente do Comitê de patologia da Coluna Vertebral, pode sofrer até mesmo com pequenos movimentos que se mostram desconfortáveis e dolorosos.
— Na doença, que pode ter causa inflamatória de origem imunológica, o organismo vai produzindo um anticorpo contra a cartilagem de uma determinada junta.
A sacroileíte pode ter também outras causas como reumatismo, trauma, artrite, sobrecargas na coluna vertebral ou mesmo processos infecciosos. O especialista acrescentou à lista ainda problemas de ordem congênita, como a alteração de partes do código genético que podem propiciar o desenvolvimento.
Incidência - A doença atinge mais homens do que mulheres e tem mais chances de ocorrer conforme a idade avança. Os pacientes chegam ao diagnóstico porque, em geral, sentem muita dor na lombar, que pode se estender para coxa e panturrilhas, além da sensação de rigidez na coluna.
O mal que fez o ministro do Supremo abandonar o futebol, um de seus hobbies favoritos, é tratado em diversas frentes. Além da indicação para a prática de esportes de baixo impacto (como natação e hidroginástica) e fisioterapia, recorre-se também ao uso de medicamentos, como analgésicos e anti-inflamatórios.
A cura depende de cada caso, explicou o especialista. Em alguns, a doença pode ser tratada com medicações que podem mudar o curso natural e levar a um nível de remissão, que é quando a doença regride completamente a ponto de ficar sem sintomas.
SindSaúde-PR denuncia: governo quer aumentar contribuição ao ParanáPrevidência
Há tempos o SindSaúde , junto com o Fórum das Entidades Sindicais, tem pautado os problemas financeiros da ParanaPrevidência.
As causas da dívida são conhecidas. Mas sempre vale repetir:
a) os governos Lerner, Requião, Pessuti e Richa não depositam o valor integral da parte patronal
b) em 1998 , quando a lei foi aprovada, a projeção do custo das aposentadorias futuras foi feita sem uma base de dados confiável e compatível com a realidade dos servidores
c) a inclusão de outros quadros, como o do Legislativo e o do Judiciário no Instituto pode ter causado o desequilíbrio financeiro
Mas os fatores que dão origem ao problema financeiro da ParanaPrevidência podem não ser sanados, mas o ataque poder vir a ser no bolso do funcionalismo. Ao que tudo indica, a alteração vai vir para mexer no percentual de desconto do servidor.
E a dívida do Estado? Certamente vão dizer que o caixa do Estado não aguenta mais sobrecarga de custos na folha de pagamento. Mas ninguém pergunta se o orçamento do trabalhador comporta mais esse prejuízo.
Indústria de remédios dá até 60% de desconto para consumidor
Para aumentar a adesão dos pacientes ao tratamento médico, que pesa no bolso das famílias, as indústrias farmacêuticas criaram programas de desconto em medicamentos, tanto para aposentados como para quem trata doenças crônicas ou faz uso de remédios de uso contínuo. O preço pode cair de 20% a 60%.
Entre as empresas do setor farmacêutico que têm esse benefício estão a Pfizer, a Eli Lilly, a Novartis e a AstraZeneca.
A Pfizer tem dois programas: o Melhor Idade, voltado para pacientes com idade acima de 55 anos, e o Mais Pfizer, válido para qualquer pessoa que precise utilizar os medicamentos incluídos na lista.
O Melhor Idade oferece descontos progressivos de 30% a 40% em medicamentos que custam de R$ 16 a R$ 140. Segundo Adilson Montaneira, diretor da unidade de negócios produtos estabelecidos, esses remédios ficam até 36% mais baratos em relação ao medicamento genérico. O Mais Pfizer inclui 23 remédios, mas os descontos não foram divulgados.
A AstraZeneca tem o programa Faz Bem, destinado a qualquer paciente que faça uso dos remédios incluídos na lista. Os descontos variam entre 20% e 60%.
O programa da Eli Lilly, chamado Melhor Para Você, não tem restrição de idade e oferece descontos de 42% a 60%. De acordo com Allan Finkel, diretor de vendas da Eli Lilly do Brasil, a porcentagem é definida de acordo com o perfil socioeconômico do paciente.
A Novartis oferece o programa Vale Mais Saúde para pacientes com doenças crônicas, que disponibiliza conteúdos educacionais e oferece descontos em 42 medicamentos. A porcentagem, no entanto, não foi informada.
O consultor automotivo Fábio Pereira de Arruda, de 42 anos, precisa tomar um medicamento para combater a hipertensão. “Na época, o cardiologista indicou um remédio da Novartis que era bem moderno e poderia substituir outros dois que eu tomava. Ele mesmo me falou sobre o programa de desconto. Eu liguei, me cadastrei e recebi um número de protocolo para comprar com desconto até chegar o cartão definitivo. Tenho um desconto de 50%, que me ajuda muito”, conta.
Drogarias também - A Droga Raia possui o programa Muito Mais Raia, que oferece descontos em medicamentos tarjados, ofertas exclusivas e promoções diárias personalizadas aos clientes cadastrados. O cadastro pode ser feito nas lojas da rede. As compras em perfumaria também rendem pontos que podem ser trocados por produtos ou ser transferidos ao programa Multiplus.
A Drogasil dá descontos de 15% a 55% para aposentados em mais de 1,2 mil medicamentos. As duas redes também fazem parte do programa Aqui Tem Farmácia Popular, do governo federal.
A rede Pague Menos oferece um cartão fidelidade para o cliente acumular pontos que podem resultar em descontos em compras futuras. O programa é destinado a todos os clientes, independentemente da idade.
Após 60 anos da sua morte, Monteiro Lobato está no centro de uma polêmica sobre racismo
ROSIEL MENDONÇA
Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima”. A frase foi retirada do livro “Caçadas de Pedrinho”, um clássico da literatura infantil escrito em 1933 por Monteiro Lobato, e relata a fuga da personagem negra do Sítio do Picapau Amarelo, a criadora da boneca Emília, ao se deparar com uma onça.
Esse e outros trechos que, supostamente, fazem referências depreciativas à empregada negra levantaram uma discussão sobre a presença de elementos racistas na obra de Lobato – polêmica que acabou indo parar no Supremo Tribunal Federal (STF).
No mês passado, o Instituto de Advocacia Racial (Iara) reanimou uma polêmica iniciada há dois anos. O instituto entrou com um mandado de segurança na Suprema Corte para que o Governo Federal modifique a nota explicativa já existente nas edições e capacite melhor os professores para lidar com o assunto.
Logo após, o instituto e o pesquisador Antonio Costa Neto entraram com um pedido para que o livro “Negrinha”, publicado em 1920, também seja considerado no processo. Em último caso, o Iara defende que o governo deixe de adquirir as obras para uso nas escolas.
Impasse
Como nenhum acordo vingou, mesmo após duas reuniões entre o Iara e representantes do Ministério da Educação, a decisão final caberá ao plenário do STF – o que deve acontecer após o julgamento do mensalão. Por enquanto, o processo está aberto para que entidades civis deem sua contribuição.
O advogado e imortal da Academia Amazonense de Letras (AAL), Júlio Antonio Lopes, acha pouco provável que a Suprema Corte decida pela retirada dos livros do Programa Nacional Biblioteca na Escola, o que poderia ser considerado um ato de censura.
“Mas nenhuma questão pode ser afastada da apreciação do Judiciário”, complementou ele, que foi leitor de Monteiro Lobato. “Li-o quando criança e confesso que nunca vi racismo nas suas obras. Elas são frutos de seu tempo, nada mais”.
Análises
Em um tempo em que estereótipos racistas aparecem disfarçados de humor na televisão, a discussão envolvendo Monteiro Lobato pode parecer exagerada. O escritor e mestre em Letras – Estudos Literários, Alexandre Serrão, vai além na análise da polêmica.
“Devemos lembrar que Lobato resistia à estética moderna. Ainda assim ele é clássico e é importante estudá-lo, de preferência de forma contextualizada. Talvez houvesse nele resquícios de tradição, mas acho que ele não era racista, apenas mostrava o negro em um tempo em que as noções de ser ou não racista não eram muito claras”, opinou Serrão.
Monteiro Lobato é um autor que também faz parte do imaginário infantil do escritor e imortal da AAL Tenório Telles. Segundo ele, o movimento que aponta racismo na obra de Lobato considera o leitor como um ingênuo.
“Se for para levar ao pé da letra essas teses, então é preciso tirar de circulação a Bíblia, Machado de Assis, Shakespeare e uma série de obras que, em determinadas passagens, fazem referência a temas considerados pecado pelo politicamente correto”, enfatizou Telles.
Autor simpatizava com as teses da Eugenia
Em reportagem publicada em maio do ano passado, a revista “Bravo!” trouxe à tona trechos de cerca de 20 cartas que Monteiro Lobato trocou com o escritor mineiro Godofredo Rangel e os cientistas Renato Kehl e Arthur Neiva. A correspondência foi garimpada nos arquivos da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e em livro publicado pelo próprio Lobato em 1944.
As cartas revelam que o escritor, no fim dos anos 1920, era entusiasta, junto aos dois cientistas, das ideias da eugenia, pretensa ciência que colocava a raça branca em um patamar superior em relação às outras. Nessa época, a eugenia era abertamente divulgada e estava na origem das ideologias racistas propagadas pelo nazismo.
Trechos
Em suas cartas, dentre outras coisas, Monteiro Lobato fazia referências à Ku Klux Klan, organização que aterrorizou a população negra do estado do Tennessee após a Guerra Civil Americana.
Em carta a Arthur Neiva datada de 10 de abril de 1928, Lobato escreveu: “País de mestiços, onde branco não tem força para organizar uma Kux Klan (sic), é país perdido para altos destinos. (...) Um dia se fará justiça ao Ku Klux Klan”.
“Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde”, também escreveu em carta a Godofredo Rangel.
Alexandre Serrão prefere se ater à discussão sobre a presença ou não de racismo na obra do escritor. “O homem é sempre falho. Lúcio Cardoso, por exemplo, tinha umas colocações no mínimo estranhas em relação aos negros, mas sua obra tem qualidade”, declarou.
O poder das frutas cítircas. Além da Vitamina C, previne doenças e combate o envelhecimento
A primavera chegou ao Brasil no dia 23 de setembro e, além das flores, a safra de algumas frutas também foi beneficiada com a entrada da estação. Segundo autoridades, algumas frutas cítricas estão em ótima temporada, especialmente as laranjas, as mexericas e os limões. Se você quer aproveitar, saiba que sua saúde e sua beleza terão muitos benefícios com esses alimentos.
Segundo Celso Cukier, nutrólogo do Hospital São Luiz, a substância mais importante das frutas cítricas é a famosa vitamina C. Ela ajuda na sustentação dos tecidos, na cicatrização e no bom funcionamento do intestino. Ainda age na prevenção de enfarte, derrame e até de osteoporose. Quer mais? É um poderoso antioxidante, aumenta a imunidade contra resfriados e outras infecções, reduz o colesterol, protege contra poluentes e cigarro, combate as doenças da gengiva e melhora a absorção do ferro em quem tem anemia.
No entanto, Celso Cukier alerta que, para desfrutar dos benefícios da vitamina C, não basta consumir as frutas cítricas apenas na alta temporada. “É importante que elas façam parte da nutrição diária”, diz o médico. “Não adianta passar na farmácia e comprar um remédio com vitamina C para curar uma gripe. Ela age na prevenção e só se torna eficiente quando vira um hábito.”
Envelhecimento - Se a intenção é combater os radicais livres, que causam o envelhecimento precoce, a nutricionista Liliana Gervino diz que o melhor é consumir as cascas das frutas. “Elas são mais ricas em antioxidantes do que a polpa”, explica Liliana. “E o antioxidante serve para destruir os radicais livres, responsáveis por causar lesões em nosso organismo”, continua Liliane. “O suco batido com as cascas, além de refrescante, é rico em fibras, age como diurético e ajuda na cura de doenças respiratórias.”
Aumente as chances de conseguir o auxílio-doença
O segurado que procura o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para receber o auxílio-doença deve levar o maior número de comprovações da incapacidade possível já na primeira perícia.
O Manual de Perícia Médica da Previdência Social, um guia de 120 páginas, orienta o trabalho dos médicos peritos, tanto no reconhecimento da atividade insalubre, quanto na identificação da incapacidade para o trabalho.
Segundo o documento, o sistema de perícias do INSS não permite que os médicos peçam exames para checar se o segurado está doente mesmo ou, ainda, se a doença o incapacita para o trabalho.
O perito médico previdenciário realiza exames médico-pericias para fins de análise de:
o Auxílio Doença Previdenciário;
o Benefício de Prestação Continuada (LOAS);
o Pensão por Morte do Maior Inválido;
o Aposentadoria por Invalidez Previdenciária;
o Auxílio Acidente Previdenciário;
o Aposentadoria Especial;
o Auxílio Doença Acidentário;
o Aposentadoria por Invalidez Acidentária;
o Auxílio Acidente Acidentário;
o Embriopatia Talidomídica;
o Prorrogação Salário Maternidade;
o Condições laborativas dos aeronautas;
o Majoração de aposentadoria por invalidez;
o Enquadramento para isenção de IRPF;
É de sua competência fazer vistorias em locais de trabalho para o reconhecimento do
nexo técnico, nos casos de doença profissional e de doenças
do trabalho, e para fins de concessão de aposentadoria
especial;
- avaliação de posto de trabalho de segurados em Programa de
Reabilitação Profissional;
- avalia e encaminha à readaptação/reabilitação profissional;
- emite parecer técnico em juízo quando convocado ou indicado
como Assistente Técnico do INSS;
- analisa o laudo técnico e o formulário emitidos pela empresa,
com vistas à concessão de aposentadoria especial;
- assessora tecnicamente os órgãos adjuntos do Ministério da
Previdência.
O diagnóstico e o tratamento é competência do médico que lhe
assiste, que pode ser um médico público ou privado.
O perito apenas confirma um diagnóstico que você já tem. Em casos
específicos, o perito pode requisitar exames complementares e
pareceres especializados. O perito também não pode tratar, pois ele
não pode ser médico e perito do mesmo paciente.
Nas mansões do Supremo e do Divino
*RUTH DE AQUINO
Era uma manhã de sol na praia deserta de Geribá, em Búzios, bem cedo. Ano 2005. José Dirceu fazia exercícios na areia. Em forma, bronzeado. Acabara de cair da chefia da Casa Civil do governo Lula, acusado de mandante do mensalão. Perguntei, como uma banhista qualquer: “Como vai a vida, ministro?”. “Vai bem”, respondeu ele com um sorriso, “enquanto a imprensa não me descobrir aqui”.
Mesmo destituído do poder oficial, não temia cair em desgraça. Jamais suporia, em seu pior pesadelo, que sete anos depois teria de encarar a execração pública, condenado como um criminoso na mansão do Supremo. Dirceu virou Zé, um vilão do folhetim político brasileiro, o “mandante de um golpe contra a democracia”. Mas se considera uma vítima.
Na mansão do Divino, a vilã Carminha foi condenada e chamada de vagabunda. O capítulo em que a personagem de Adriana Esteves foi desmascarada coincidiu com um imenso salto de consumo de energia elétrica. Se o ápice do julgamento na mansão do Supremo era o destino de José Dirceu, na fictícia Avenida Brasil o clímax chegou antes do fim. O que acontecerá agora na novela é secundário, diante da catarse nos sofás brasileiros com a execração de Carminha, a vilã que manipulava todos, filhos, amantes, marido, parentes, empregadas, amigos e inimigos. Manipulava com propina e lábia. Comprava apoio, conspirava, iludia e dava a volta por cima. Foi quase linchada. Mas se considera uma vítima.
Tanto Dirceu quanto Carminha caíram sem abaixar a cabeça, atirando “contra a covardia moral e a hipocrisia”. O autor de Avenida Brasil, João Emanuel Carneiro, já disse que gosta de humanizar vilões, mostrar que ninguém nasce mau. Carminha repetiu mil vezes na trama: “Não sou vilã, sou vítima, vocês vão ver”. Quando percebeu que seu discurso de heroína não convencia mais, apontou o dedo para os malfeitos de toda a família. Dirceu, por enquanto, só apontou o dedo para a imprensa. Divulgou em seu blog uma carta “ao povo brasileiro”, numa clara alusão a Lula, que também escreveu, em junho de 2002, uma “carta ao povo brasileiro” como candidato do PT à Presidência da República.
No documento, Dirceu afirma que, desde 2005, “em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo”, foi transformado pela mídia em “inimigo público número 1”. Na visão de Dirceu, o Supremo o condenou como corruptor e chefe de quadrilha “sob forte pressão da imprensa”. Não foi mais longe que isso. Mais uma vez, os interesses do PT e de Lula – nas eleições, e especialmente em São Paulo – se sobrepõem a seu drama pessoal, sua reputação. Internamente, no PT, não existe o vilão Dirceu. Ele é um herói das cores do Partido com letra maiúscula. Não é dedo-duro. Foi ovacionado pelos companheiros.
Oficialmente, Dirceu foi chefe da Casa Civil, mas essa era sua face palaciana e festiva. Na vida real, era muito mais – e continua sendo. O confidente-mor de Lula, seu companheiro mais querido, mais fogoso e poderoso. O guerrilheiro que mudou o rosto para não mudar as convicções. O que mentiu até para a família para continuar, clandestino, em seu país. Coisa de novela. No governo Lula, Dirceu era o braço direito do presidente, o homem forte, a eminência parda que falava grosso, o ideólogo do PT.
Agora, Dirceu foi condenado pelo Supremo como “o mandante de crimes cometidos na intimidade das organizações do governo”. Como o artífice de um projeto de poder que visava sufocar críticas e se perpetuar no Brasil. Um projeto totalitário, um golpe contra a democracia apoiado por políticos de outros partidos, “propinados e corrompidos”. É forte.
Em 2005, convencido de que suas relações e costas quentes o livrariam de um processo exemplar e épico como o de agora, José Dirceu disse textualmente sobre Lula: “Não faço nada que não seja de comum acordo e determinado por ele”.
Alguém duvida? Carlos Lessa, economista e ex-presidente do BNDES no governo Lula, afirmou ao jornal O Globo: “Lamento por Dirceu, o mais preparado e brilhante do PT. Foi onipotente, ignorou a ética na construção de apoio. O mensalão fere a democracia. Mas sou contra crucificá-lo. E Lula, claro, sabia de tudo”. Para Lula, é bom lembrar, tudo que está sendo julgado no Supremo não passa de “uma farsa”.
Na ficção de verdade, com atores pagos, os últimos capítulos deverão mostrar que a vilã Carminha teve um mestre, um modelo e um mentor: seu pai, Santiago, que posava de bonzinho na trama. A verdadeira face de Santiago é outra. Um ladrão de joias, um receptador. Bandidos entregam os objetos roubados dentro das bonecas que Santiago diz consertar.
A História dirá se Dirceu pensou e agiu sozinho ou se deve sua glória e tragédia a alguém acima dele.
RUTH DE AQUINO é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br
Contribuição ao INSS até 98 aumenta a aposentadoria
O segurado que tem contribuições ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) antes de 1998 pode conseguir se aposentar com um benefício mais vantajoso. Para garantir o melhor cálculo, é necessário que ele consiga incluir contribuições suficientes para se aposentar com as regras válidas até 15 de dezembro de 1998.
Até essa data, o INSS dava a aposentadoria proporcional aos homens que tivessem 30 anos de contribuição e 25 anos às mulheres.
A média salarial até 15 de dezembro de 1998 era calculada utilizando os três últimos anos de contribuições à Previdência.
A partir desta data, o cálculo mudou e passou a utilizar as 80% maiores contribuições desde julho de 1994, aumentando a possibilidade de incluir pagamentos menores ao INSS.
Já o cálculo que leva em conta os três últimos anos de contribuição favorece os segurados que passaram a ganhar mais ao longo do tempo e, quando completaram as condições de se aposentar, estavam recebendo salários maiores.
Assinar:
Postagens (Atom)







