28 de janeiro de 2012

Neo-pelegos e sindicalismo marrom estão de volta. Que vergonha!

O órgão oficial de divulgação do Sindicato dos Trabalhadores em Turismo, Hospitalidade, Hotéis, Restaurantes, Bares da Grande Florianópolis - o GORJETA, que começa a circular nesta segunda-feira - traz a opinião do seu presidente, Fuasto Schmidt, sobre uma questão que merece reflexões profundas. É sobre o papel das centrais sindicais, das Confederações e Federações regionais. Ele faz um questionamento pertinente, além de levantar suspeitas graves na fixação do piso regional de Santa Catarina e acusar o governo do Estado de omisso. Pela coragem, lucidez e oportundiade, transcrevemos a palavra do presidente. "Nestes 25 anos de existência do Sitratuh-Florianópolis, temos vistos altos e baixos do sindicalismo local, regional, nacional e internacional. Nos anos 30, ao tempo de Getúlio Vargas, a designação “pelego” era comum e indicava o líder sindical de confiança do governo que garantia o atrelamento da entidade ao Estado. Décadas depois, o termo voltou à tona com a ditadura militar. Pelego passou a ser o dirigente sindical apoiado pelos militares, sendo o representante máximo do chamado sindicalismo marrom. A palavra, que antigamente indicava a pele ou o pano que amaciava o contato entre o cavaleiro e a sela, virou sinônimo de traidor dos trabalhadores e aliado do governo e dos patrões. Logo, quando se chamava alguém de pelego, significava que a pessoa era subserviente/servil/dominada por outra, ou seja, capacho, puxa-saco, bajulador. Fatos recentes no meio catarinense indicam que estamos diante dos neo-pelegos, na sua versão mais grossa, cruel, abominável, para não dizer nojenta. Eles continuam revestidos de cordeiros, porém são vorazes lobos, gananciosos, sem estofo e, claro, sem vergonha alguma. Aí vem a conseqüência muito pior: parece que o movimento sindical só existe através das inoperantes centrais sindicais, das Confederações e Federações. Na verdade, com raras exceções e momentos, surgem através de ações pontuais. Alguns pequeno-grandes exemplos ilustram bem o que estamos dizendo: - Onde estavam essas tais de centrais na hora de defender o trabalhador para que o governo não tomasse o dinheiro do FGTS para construir estádios de futebol? - Alguém sabe dizer o que faziam quando, recentemente, as duas casas do Congresso apoiaram o “saque” contra a seguridade e previdência social, ao aprovar a tal de DRU (Desvinculação da Receita da União)? São fatos incontestáveis, preocupantes e que se refletem em todas as escalas do sindicalismo. Em Santa Catarina não é diferente. Órgãos sem delegação alguma e, portanto, sem legitimidade - “falam” em nome dos trabalhadores barriga-verdes. O mais estranho é que as autoridades fazem vistas grossas a tal inversão, como se quisessem botar goela abaixo organismos espúrios, parecendo que a covardia não os deixa ver que o certo, verdadeiro e/ou legítimo não são símbolos parasitários os quais vendem os assalariados aos patrões. Pelego é uma sub-pessoa, uma não-gente, pois lhe falta uma parte essencial a todo ser humano que se preze: o brio, a coragem, o amor próprio, a nobreza de caráter, enfim. Em tempos mais recentes, com a eleição do governo Lula, presidente originário do meio sindical, os movimentos sociais foram cooptados e trazidos para dentro do aparelho do Estado, e lá eles se neutralizaram, se anestesiaram, se despolitizaram e se apelegaram. Viraram traidores da classe operária. Mas, como conforto divino, bem sabemos o destino de todos os Judas e que suas moedas são amaldiçoadas. Eternamente! FAUSTO SCHMIDT Presidente

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