25 de janeiro de 2012

O poder de influência do professor (FINAL)

Naturalmente as disciplinas mais subjetivas, como História, estão mais associadas à transmissão de ideologias, porém nenhuma área do conhecimento pode ser considerada neutra. Existe uma distância entre a interpretação do texto com base no rigor científico e a manipulação do conhecimento para a disseminação de certo posicionamento. “Evidentemente, quando o professor usa o conhecimento histórico com o objetivo de divulgar certas ideologias, certas posições políticas, ele não está fazendo seu papel adequadamente. Ele está utilizando o conhecimento histórico numa atitude panfletária”, afirma Ricardo Sayeg. Depois de 40 anos, as disciplinas de Filosofia e Sociologia voltaram a ser obrigatórias para o ensino médio. Para opositores da medida, essas duas áreas do conhecimento são o caminho perfeito para a manipulação ideológica, sobretudo porque muitos professores, na tentativa de despertar a consciência crítica e a cidadania nos alunos, acabam incutindo suas próprias concepções na cabeça dos estudantes. Mas para Josué da Silva, o risco de doutrinação sempre existe, independentemente da disciplina. “Um professor de Matemática pode disseminar preconceitos através de piadas sexistas ou homofóbicas, sem sequer se dar conta de que está doutrinando os alunos”, afirma. Também existe o estereótipo de que a maioria dos docentes dessas áreas são de “esquerda” e que com a obrigatoriedade das disciplinas surge uma oportunidade para os doutrinadores disseminarem suas ideias “marxistas”. O professor Ricardo Sayeg confirma que existe influência da visão de “esquerda”, mas defende que o próprio marxismo abriu diálogo com outras escolas do pensamento e incorporou novas visões. “É importante salientar também que as ciências citadas são sociais. E a preocupação com as desigualdades sociais no Brasil foi tradicionalmente uma bandeira da esquerda e não da direita em nosso país”. Para evitar os riscos de doutrinação, Josué da Silva acredita que a melhor saída é a boa formação do docente e a clareza dos objetivos pedagógicos de cada disciplina. “Professores que tiveram má formação universitária estão mais predispostos a querer incutir suas crenças nos alunos. Nesse caso, o que temos visto é muito mais a tentativa de incutir crenças religiosas e doutrinárias do que políticas, e menos ainda de esquerda.”

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