15 de janeiro de 2013

Manobra no PNE beneficia mais ainda as instituições particulares

Uma manobra no Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Senado Federal, pode beneficiar instituições de ensino privadas. O relatório, apresentado no último dia 17 pelo senador José Pimentel (PT-CE) na Comissão de Assuntos Econômicos, altera a Meta 20 do projeto sobre a destinação dos recursos a serem aplicados no setor. Na nova redação, é apresentado o direcionamento do montante sem a referência ou condição de que seja especificamente no ensino público - os recursos dos royalties do pré-sal estão inclusos nesse investimento. A medida é vista como um retrocesso, inclusive, no setor de ensino particular. Para o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a alteração abre uma brecha para que o governo federal patrocine escolas ruins. "O dinheiro público pode ser escoado para a ineficiência do setor privado. O Ministério da Educação está com uma série de medidas de fechamento de cursos e suspensão de vestibulares e nos deparamos com essa porta para o cidadão financiar esste tipo de ensino", alerta. Segundo o especialista, o governo tem adotado uma postura favorável à iniciativa privada. "A medida provisória que trata da divisão dos lucros do pré-sal, por exemplo, não direciona o recurso para a escola pública. A questão não é estatizar, mas a necessidade de se investir em escola pública boa. Essa é realmente inclusiva", ressalta. A Federação Nacional das Escolas Particulares também é contra a modificação no projeto. A presidente da entidade, Amábile Pacios, destaca que a entidade trabalhará para a redação do texto voltar a original. "O PNE da Câmara foi muito negociado. Vamos nos esforçar para fazer valer a ideia dos deputados. Não aceitamos nenhuma alteração." Daniel Cara acrescenta ainda que o Senado propõe a retirada da meta intermediária, que prevê em cinco anos a aplicação de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) na Educação - atualmente, o governo destina 5,3%. "Isso é preocupante. O plano passado não tinha metas e isso fez com que ele não fosse acompanhado pela sociedade. Sem esse mecanismo, só vamos ter uma noção clara dos avanços quando o PNE estiver concluído", declara. A assessoria do senador responsável pelo texto, José Pimentel, informou que ele só falará sobre o tema quando as atividades no Congresso Nacional retornarem, em 4 de fevereiro.
Recursos do pré-sal -
Após tramitar por dois anos na Câmara dos Deputados, o Plano Nacional de Educação (PNE) chegou ao Senado Federal com duas grandes responsabilidades: manter o investimento de 10% do PIB do país em educação em 10 anos e encontrar uma fonte de renda para o financiamento. A saída do governo federal foi atrelar os lucros do pré-sal ao PNE. Por meio de medida provisória, a presidente Dilma Rousseff destinou 100% dos recursos dos royalties e 50% dos rendimentos do Fundo Social do Pré-Sal. As matérias, entretanto, não estão no mesmo texto. O PNE estabelece metas para avanço da área a serem conquistadas nos próximos 10 anos.

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